Em um lugar onde muitos não sabiam o que era se mover, ficavam parados num banco de madeira, perto de árvores, não viam o sol, mas se esquentavam com ele, agradeciam a si mesmos, respiravam e sorriam... não precisavam se mover.
Esse lugar tinha moitas, casas, mas não para serem habitadas, e sim para enfeitar (quem as construiu ?), as flores bebiam da chuva gelada que caia sobre a cidade, elas sorriam e agradeciam também.
Quando eu cheguei no campo olhei para todos, mas ninguém se mexeu, eu caminhava e alguns se impressionavam, eles podiam falar comigo, mas não faziam questão, mas ao mesmo tempo tinham duvidas a serem tiradas sobre meus passos. Passei por um lago, com peixes risonhos, tudo era muito claro, não havia lugares escuros, a não ser uma toca que encontrei no final da estrada (de uma das estradas), eu tentei entender o que era, parecia uma espécie de portal, mas ao mesmo tempo parecia só uma simples toca, sabe ? Uma toca, onde ursos dormem, na primavera. Eu não me aproximei porque eu sabia que não queria parar de respirar aquele ar puro, o mesmo ar que as plantas respiravam. Eu estava descalço. Pisava numa grama fofa, e molhava meus pés em água pura, limpa e muito, muito clara.
Eu fui surpreendido ao me sentar em um banco de madeira, como todos os outros. Um senhor insistiu em me convidar para se acomodar e sentir o mesmo que ele, ele parou de jogar xadrez parado, pra conversar comigo. Ele dizia que o lugar nunca foi diferente, todos dali eram muito calmos, não conhecia a palavra "desentendimento". "O que é de-sen-ten-di-men-to ?" "Onde mora ?" "Do que se alimenta ?"
Lucca Diniz

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